
Algumas coisas te marcam.
Quem olha de fora acha que eu invisto em startups pra alocar capital, ou pra ser chamado de “anjo” — rótulo que evoca uma auréola de santo, ou de rico, ou até pressupõe que alguém precisa me “cantar” pra eu topar um pitch. Pode ser assim pra outros. Não é assim pra mim.
Meu tesão mesmo é poder acompanhar de perto — e ter um impacto significativo — na trajetória de startups e na vida de founders.
Aliás, já era assim quando eu empreendia. Ver talento desabrochar, ver quem até pouco era colega de bebedeira na Unicamp virar quem tocava nosso time de Imprensa, nossas Unidades de Negócio, Marketing, TI, Produto, Vendas, Parcerias, enfim. São tantos os exemplos que seria impossível citar todos, mas para cada área eu consigo enxergar claramente alguém, júnior e jovem (à época), como eu era, que cresceu (e envelheceu, de resto como eu), e hoje é um(a) amigo, uma referência na sua área, uma conexão profissional. E de quem me orgulho de ter apoiado, inspirado, contratado e tido o privilégio de ver crescer profissionalmente junto comigo.
O e-mail que eu quase ignorei
Hoje foi um daqueles dias.
A princípio parecia só mais um e-mail do LinkedIn — desses que chegam quando alguém te marca, ou tenta uma cold approach pela rede.

Pra mim, sinceramente, é o pior canal: são tantos alertas de tantos lugares que priorizo WhatsApp e e-mail de quem já está na minha rede de contatos.
Mas dessa vez decidi checar, porque a notificação era de um post, não de um status update. E eu sei que status é breve e etéreo — mas post, em geral, é profundo. Se alguém te menciona lá, é porque vale a pena ler.
Li. E me emocionei.
O slide de 2015
O post é a despedida executiva de Juliana Assunção do Rank (a RankMyApp), depois de 11 anos. Ela conta a história desde o início: o Leandro Scalise tentando automatizar planilha de SEO, o amigo dev Rodrigo Castro, o Bruno Felix enxergando o potencial de mercado, os três entrando na Startup Farm em 2015.
Foi lá, no primeiro encontro daquele batch, no IME-USP, que dei uma palestra sobre os skills que eu esperava ver, como investidor, num grupo de founders:
O de negócios (o “hustler”, alma de vendas)
O de tecnologia, produteiro (o “hacker”, que pensa a engenhoca de tudo)
O de comunicação (o “hipster”, que pensa em como aparecer, na reputação, na cara da empresa)

O slide de 2015, tal como usei naquela palestra na Startup Farm.
No dia seguinte àquela palestra, saiu uma vaga de “designer pra uma startup” num grupo do Facebook. Em 3 de maio de 2015 a Juliana entrou oficialmente, fechando o terceiro perfil. Virou sócia. Ficou uma década.
O que isso significa pra mim
Mais do que o ponto em si, o que me marcou foi notar o quanto um insight meu pôde inspirar, direcionar e impactar positivamente uma startup, um grupo de founders, uma pessoa.
E é assim até hoje, a cada startup investida — a cada conselho de negócios, a cada dica e insight, a cada cobrança, orientação, playbook, round liderado.
(A referência a “ninguém menos que o Fábio Póvoa” no post é gentileza da Ju. Eu não sou mais do que ninguém, e tenho muito a aprender — inclusive com ela.)
Nada me realiza mais do que ver esse tipo de impacto. Gratuito, genuíno, sem sequer estar vinculado a um aporte, round ou cheque.
O money faz parte — é o que dá skin in the game e retorno, é o que enche o bolso. O que preenche a alma é outra coisa: o impacto, o apoio, o reconhecimento.
Posts que ensinam
A leitura do post da Ju mostra ainda o quanto uma pessoa se transforma dentro da jornada empreendedora — o volume de aprendizado, a companhia dos cofounders, o equilíbrio de mil papéis enquanto a empresa cresce, até você perceber que tem gente que já nasceu pronta pra cuidar de coisas melhor do que você mesmo.
Sou fã de posts assim — que consolidam aprendizado, documentam virada de chave, marcam transição de carreira.
Leia o post original da Ju, na íntegra, aqui: “11 anos de Rank: um ciclo que se encerra”.
Obrigado, Ju, por dividir essa história e por me relembrar do real motivo pelo qual apoio empreendedores. E parabéns pelos 11 anos de Rank.